Oi pessoal, tudo bem? Espero que sim!!
Bem, esta semana foi muito importante, ou seja, a Semana do Meio Ambiente.
Aqui vão os 50 mandamento do ecocidadão.
Espero que gostem!!!
Não se preocupe, ações não afetam o bolso nem exigem grandes esforços
Numa pesquisa de opinião pública recente, os brasileiros não incluíram o meio ambiente entre suas preocupações principais. Em compensação, revelaram-se dispostos a assumir pequenas ações ecologicamente corretas, como separar o lixo para reciclagem (78% concordaram) e economizar energia. Os brasileiros só não parecem dispostos a colaborar com o meio ambiente quando essa ajuda implica em gastar mais dinheiro. Por isso, elencamos aqui 50 boas ações, que sem afetar o bolso nem exigir grandes esforços, podem colaborar para reduzir os estragos que, às vezes sem saber, provocamos ao ambiente em nosso dia-a-dia.
ELETRODOMÉSTICOS
1 Evite comprar eletrodomésticos que não sejam muito necessários, como facas elétricas, máquinas de fazer sucos, máquinas de café, etc.
2 Não utilize a parte detrás da geladeira para secar roupas e sapatos
3 Compre geladeiras com o selo "greenfreeze", sem o gás CFC, que ataca a camada de ozônio
4 Evite colocar alimentos quentes na geladeira, por aumentar o consumo de energia
5 Não coloque a geladeira perto do fogão ou de uma janela que recebe muito Sol; ela terá de trabalhar mais para se manter fria
6 Feche sempre bem a porta da geladeira. Aberta, há um maior consumo de energia para manter a temperatura. Não deixe a porta aberta enquanto pensa no que vai tirar dela, nem a abra e feche repetidas vezes
7 Evite manter a temperatura interna do refrigerador inferior a 5 ou 6 graus. Isso aumenta o consumo energético em cerca de 7%
8 Prefira geladeira com descongelamento manual por gastar menos energia
9 Opte por lavar roupas na máquina a frio. Isso economiza de 80% a 92% de energia
10 Só lave roupa com a máquina cheia. Cada lavagem consome 150 litros de água
11 Só use a secadora de roupas em casos extremos, de muito frio ou muita chuva
12 Prefira panelas de pressão. Mais rápidas, elas consomem menos energia
13 Procure sempre tampar as panelas, especialmente para aquecer água ou sopa. Isso pode reduzir em 30% a energia necessária e o tempo de preparação
14 Desligue as bocas do fogão minutos antes de a comida ficar pronta. Elas ainda se manterão quentes por um tem po. O mesmo pode ser feito com o ferro de passar roupa
15 O vapor do ferro aumenta o consumo de eletricidade. Por isso passe a ferro com a roupa um pouco úmida ou use um borrifador
ALIMENTOS
16 Evite comprar alimentos que contenham aditivos, corantes e conservantes desnecessários
17 Compre frutas e vegetais orgânicos, por não usarem agrotóxicos em seu cultivo
18 Procure se certificar de que a carne comprada provém de animais criados em boas condições e mortos sem sofrimento desnecessário
19 Recuse serviços de fast food com excesso de produtos descartáveis, como guardanapos, copos, canudos, colherzinhas de plástico, pacotes de catchup e maionese, etc.
20 Evite comprar peixes com tamanhos abaixo dos estipulados por lei. No site da Polícia Militar de São Paulo é possível conferir os tamanhos de peixes de mar: http://www.polmil.sp.gov.br/unidades/cpfm/tab_peixe.htm
PILHAS
21 Utilize, sempre que possível, eletricidade em vez de pilhas
22 Prefira pilhas recarregáveis e sem adição de mercúrio
23 Pilhas usadas podem ser descartadas nos postos autorizados de cada marca, como Rayovac, Duracell, Sony. Os sites e os serviços de atendimento ao consumidor fornecem os endereços
PAPÉIS
24 Evite papéis decorados, engessados ou perfumados. Os químicos que carregam dificultam a reciclagem
25 Os papéis para reciclagem não devem ser amassados, mas sim dobrados, para não ocupar volume
26 Evite o papel de alumínio na cozinha. A extração de bauxita costuma destruir grandes áreas de florestas e a transformação de bauxita em alumínio desperdiça energia
27 Use pano em lugar de papel no dia-a-dia da cozinha, inclusive como guardanapos
28 Compre papel higiênico não branqueado com cloro. O branqueamento produz dioxinas que, uma vez nos rios, matam peixes
29 Prefira produtos de papel reciclado. A média de desperdício de papel, por ano, numa casa comum, corresponde a seis árvores
30 Use uma fotocopiadora que imprima frente e verso e reaproveite papéis impressos em um só lado para rascunho
ILUMINAÇÃO
31 Procure utilizar iluminação natural ou lâmpadas fluorescentes, que gastam a quarta parte da energia que gasta uma incandescente, e duram mais
32 Apague as luzes quando não precisar delas. Diminuir os gastos de eletricidade ajuda a reduzir a produção de dióxido de enxofre proveniente das centrais elétricas
33 Pinte os cômodos da casa com cores claras. Cores escuras absorvem luz e as claras a refletem
34 Se possível, instale sensores de ocupação, que desligam as luzes sempre que o cômodo estiver desocupado
LIMPEZA DA CASA
35 Opte por uma solução de vinagre ou limão diluídos em água, em quantidades iguais, para limpar vidros e espelhos e tirar a gordura
36 Substitua aerossóis ou sprays pelos roll-on (especialmente os recarregáveis), pelos sticks ou pelos pulverizadores de compressão
37 Evite os desinfetantes coloridos colocados nas bordas do vaso sanitário, porque são muito poluentes
38 Troque a descarga com válvulas (que gastam 10 a 30 litros quando acionadas) por aquelas que acompanham caixas de 6 litros de água
39 Use tintas com baixo teor de solventes. Essências como a terebintina (líquido obtido de pinheiros, usado na mistura de tintas, vernizes e polidores) devem ser usadas nas menores quantidades possíveis
CARRO
40 Ao lavar o carro com mangueira, gasta-se, em média, 570 litros de água. Se você usar baldes, gastará um décimo disso
41 Visite uma oficina regularmente e verifique a emissão de fumaça do carro
42 Sempre que possível, utilize os transportes públicos, como metrô e ônibus, pegue carona, ande a pé ou de bicicleta. Assim, ajudará a reduzir a poluição
43 A velocidade que consome menos combustível é a moderada. Acelere gradualmente
44 Mantenha a pressão correta dos pneus, para impedir o desgaste prematuro deles e para poupar gasolina
45 Não compre um automóvel maior do que as suas necessidades. Carros mais pesados utilizam até 50% mais combustível do que os modelos mais leves
CIDADANIA
46 Qualquer reclamação sobre a higienização de ruas e avenidas paulistanas, cachorros que não param de latir durante a madrugada e pedidos de pontos de coleta seletiva para prédios podem ser solicitados à Prefeitura Municipal por meio do site http://sac.prefeitura.sp.gov.br/
47 Denuncie crimes ambientais, queimadas, desmatamentos ou obras de grande impacto ambiental pela Linha Verde do Ibama, no site www.ibama.gov.br
48 Participe da Campanha de Adoção de Floresta com Araucária. No site da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), é possível "adotar" áreas nos poucos remanescentes de florestas com araucária que ainda existem.
49 Obtenha mais detalhes das campanhas e atos realizados pelo Greenpeace no Brasil e no mundo acessando o site www.greenpeace.org.br. Veja como pode ajudar na preservação da Amazônia, do clima e dos oceanos
50 Proteste contra a negativa do governo americano em combater as emissões de dióxido de carbono pelas termelétricas e indústrias do país, assine a petição contra o aquecimento global, proteja os ursos polares de extinção, enviando cartas ao presidente dos EUA, George W. Bush, e à diretora da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Christie Whitman. A rede de ciberativismo Action Network (http://actionnetwork.org/) tem modelos de textos e os endereços para envio em inglês
Fonte: (Jornal O Estado de São Paulo, 05/06/06)
2 comments:
Sobre a libertação
do condicionamento.
Uma das coisas mais difíceis - parece-me - é a correta comunicação entre pessoas. Se desejo dizer algo, tenho de usar certas palavras, e as palavras tendem naturalmente a ter significado ou valor diferente para cada um dos ouvintes. Uma reunião silenciosa de pessoas produz seus benefícios próprios; mas, para nos comunicarmos uns com outros, torna-se necessária a "verbalização", e é muito difícil comunicar devidamente o que desejamos transmitir de maneira que o ouvinte compreenda sua inteira significação, principalmente em se tratando de matéria complexa, como é agora o caso. Requer-se uma certa facilidade de comunicação, para que todos compreendam o que se está falando.
Desejo versar um assunto que considero bastante importante: se é possível, vivendo neste mundo, libertarmo-nos de todo condicionamento, a fim de que cada um se torne um verdadeiro indivíduo e, conseqüentemente, capaz de descobrir o que significa ser criador. Por certo, aquilo que se pode chamar a realidade, Deus, a Verdade, ou como quiserdes, é um estado de renovação constante, um estado de criação; e êsse estado criador não pode ser realizado, experimentado ou conhecido, se não há a verdadeira individualidade; e para se alcançar essa verdadeira individualidade torna-se necessária a libertação do condicionamento.
Nossa mente está condicionada pela sociedade em que vivemos, pelos livros que lemos, pela religião, pelos valores sociais e morais, por nossos temores e ambições, nossa inveja, etc.; tôdas essas coisas concorrem para criar um condicionamento mental. Isso me parece bem óbvio.
E é possível libertarmos a mente dêsse condicionamento – não com o procurar de um condicionamento melhor e mais nobre, porém libertando efetivamente o espírito de todo o seu condicionamento? Enquanto não o fizermos, não seremos indivíduos; seremos mero resultado da coletividade - e isso também é muito óbvio, embora seja provável que nunca tenhamos refletido a seu respeito.
Ao nos examinarmos com um pouco mais de atenção, torna-se evidente que, pela maior parte, o nosso pensar, os valores, as experiências, os conhecimentos, as crenças que possuímos, são resultado de nossa educação, de inumeras influências; o clima em que vivemos, os alimentos que ingerimos, a literatura e os jornais que lemos, todos os elementos ambientes - tudo isso condiciona a mente. Pode-se ver que nosso pensar está sempre de acôrdo com um padrão, e êsse padrão já está bem firmado. Quanto mais altamente organizada, quanto mais eficiente e cruel é a sociedade, tanto mais rigorosamente o padrão é cultivado e implantado na mente. E é possível ser-se livre dêsse condicionamento, de modo que a mente não pense de acôrdo com um padrão, porém transcenda completamente a esfera do pensamento? Isso, porém, não significa um vago misticismo, um estado sonhador, pois êsse estado, pelo contrário, é muito positivo.
Assim sendo, pode a mente libertar-se de seu condicionamento? Sei que há gente que diz que isso é impossível, uma vez que os entes humanos são, totalmente, um resultado de influências ambientes. O homem educado como cristão crê nos dogmas do cristianismo, enquanto o que foi educado como comunista não crê em nada disso - e isso, mais uma vez, demonstra como a mente é influenciada e posta a funcionar dentro de um padrão, uma rotina, aí permanecendo.
Ao observar isso, qual a nossa reação? Quer sejamos cristãos, quer hinduístas, budistas ou o que mais seja, já nos deve ter ocorrido, se investigamos seriamente, que cada um de nós é moldado, condicionado, por um certo padrão - não apenas o padrão impôsto pela sociedade, pela cultura, pelas influências econômicas, pela religião em que fomos educados, mas também por um padrão interiormente impôsto.
E devemos nos ter interrogado se épossível à mente que se habituou a pensar dentro de uma certa rotina libertar-se dessa rotina. Por certo, só a mente livre pode descobrir algo nôvo. O homem que puramente crê, ou não crê em Deus, continua prisioneiro do padrão de determinado ambiente; pela ação do mêdo, da compulsão, de tôda sorte de influências, continua êle a fazer parte do todo coletivo. Nessas condições, pode a mente assim agrilhoada, libertar-se?
A capacidade de nos libertarmos não depende, por certo, de outra pessoa. Percebo que minha mente é o resultado de inumeráveis influências, que suas reações são determinadas por um estado já condicionado; e se me interessa descobrir se minha mente pode libertar-se, não parcial porém totalmente, tanto no nível inconsciente como no consciente, não tenho necessidade de perguntá-lo a outro; posso observar a mim mesmo. Posso libertar-me da idéia de "minha pátria", do estúpido nacionalismo, das crenças em que fui criado; mas, no próprio processo de me libertar posso cair noutro conjunto de padrões. Em vez de hinduísta, posso tornar-me cristão, budista, comunista, etc. - o que é sempre um padrão.
Assim sendo, é possível libertarmo-nos de um padrão sem cairmos noutro?
Se uma pessoa está muito vigilante e observando bem o processo mental formador dos hábitos, é possível, superficialmente, libertar a mente da formação de hábitos. Mas, o problema não é tão simples assim, porque temos o inconsciente total, também condicionado, e êsse condicionamento é muito mais difícil de perceber. É bem de ver que, pelo falar, pelo raciocinar, mediante várias formas de observação, posso libertar a minha mente do condicionamento superficial consistente em ser hinduísta ou católico - e isso, evidentemente, é necessário. Se desejo descobrir o real, devo ter, em primeiro lugar, uma mente não condicionada. A mente condicionada pode "projetar" suas próprias idéias e, a seguir, experimentar essas idéias. O cristão muito devoto e fartamente condicionado pode experimentar uma visão do Cristo; mas, o que êle está experimentando é sua própria "projeção", procedente de seu fundo educativo, e tal experiência, portanto, nenhuma validade tem. Já se pudermos transcender tôdas as razões superficiais da mente, talvez então sejamos capazes de penetrar muito mais profundamente no inconsciente, que está incessantemente "projetando" o seu próprio condicionamento.
Assim, é possível penetrarmos conscientemente o nosso inconsciente, para descobrirmos as várias formas de seu condicionamento? Não sei se já pensastes em tal coisa. Podeis ter vossas opiniões a êsse respeito, podeis declarar que é possível ou impossível; mas, penso que o estudante realmente interessado em investigar cabalmente a questão não fará declarações dessa natureza. Ele estará no "estado de investigação". Não pode investigar em referência a outra pessoa, mas, tão só, em referência à sua própria mente.
A investigação parece-me, deve ser sem motivo, sem nenhuma compulsão em dada direção. Se tenho um motivo para minha indagação, êsse motivo determinará o que acharei? Por conseguinte, não há verdadeira investigação enquanto houver um motivo qualquer. E quase todos nós temos variados motivos, não é verdade? Queremos ser felizes, queremos ser interiormente ricos, encontrar Deus, alcançar isto ou aquilo. E pode a mente despojar-se de todos os motivos e pôr-se no "estado de investigação"? Esta me parece, verdadeiramente, uma questão fundamental; porque é só quando estamos livres de motivos que seremos capazes de investigar a totalidade do inconsciente.
Em verdade, o inconsciente é um depósito de numerosos motivos de que não nos damos conta - temores, ânsias, e o resíduo racial. Para investigar tudo isso, a mente consciente, pelo menos, deve estar livre de qualquer motivo. E para se limpar, mesmo a mente consciente, de todo e qualquer motivo, requer-se muita vigilância, observação de nós mesmos. Isso significa estar cônscio do inteiro processo do pensar, verificar como o pensamento desponta na mente, e se esta pode mesmo libertar-se; ou, também, se o pensamento não passa de uma reação de determinado fundo, através da memória, não podendo, por conseguinte, ser livre. Uma pessoa pode ser capaz de raciocinar muito sutil e inteligentemente; mas, o seu raciocinar tem por fundo um determinado condicionamento.
Assim, para que a mente consciente possa investigar o inconsciente - onde estão depositados todos os motivos, impulsos, compulsões seculares - então, naturalmente, é necessário que a mente consciente esteja desde o comêço livre de motivos e padrões. E, parece-me, só nessa investigação começaremos a dissolver as influências coletivas de que somos atualmente constituídos. Não somos, agora, indivíduos; embora tenhamos um nome distinto, uma conta corrente particular, etc. etc., nada disso constitui individualidade. O que faz nascer o verdadeiro indivíduo é o estado mental liberto de condicionamento. Só então se torna possível descobrir se existe uma realidade além das limitações do pensamento, além das invenções e teorias da mente.
Enquanto não alcançarmos êsse estado, o que cremos ou não cremos a respeito de Deus ou da verdade tem muito pouca significação. Nossas crenças e descrenças serão meras repetições, imitações, das idéias e pensamentos colhidos nalgum livro ou da bôca de outra pessoa, ou, ainda, "projeções" de nosso próprio desejo de confôrto.
O homem verdadeiramente religioso não é aquêle que está aferrado a certas crenças e dogmas ou a rigorosas práticas morais, mas, sim, aquêle que começou a compreender o processo total de seu próprio pensar, tanto consciente como inconsciente. Esse homem é um verdadeiro indivíduo, porque sua mente não é mais um mecanismo de repetição; embora subsista a memória das coisas de que tomou conhecimento, essas coisas nenhuma influência têm no seu funcionamento. Essa mente se torna extraordinàriamente quieta, sem nenhum movimento de desejo, nenhuma "projeção" ou motivo. Nesse estado manifesta-se a ação criadora da realidade. Mas, isso não é uma coisa para se ouvir e repetir, apenas, como o menino que aprende e repete suas lições. Proceder assim não tem significação nenhuma. O necessário é que cada um penetre muito profundamente em si mesmo, desembaraçando-se de todos os seus temores superficiais, suas invejas, ambições, desejo de segurança, de apêgo, de dependência - tão importante, para a maioria de nós - desembaraçando-se de tôdas essas coisas estultas e insensatas, não apenas temporáriamente, mas libertando-se verdadeiramente de tôdas elas. Só então se pode descobrir se existe, ou não, uma Realidade, Deus, algo fora dos limites do tempo. Enquanto não descobrirmos isso por nós mesmos, não por intermédio de "salvadores" ou instrutores, porém pela experiência direta, pessoal, a vida continuará a ser uma coisa muito superficial. Podemos ter riquezas imensas, grande influência, e a possibilidade de viajar todo o mundo; podemos possuir vastos conhecimentos e mostrar-nos muito eloqüentes em nosso falar; mas, sem aquela experiência direta, a vida se torna muito trivial e, subterrâneamente, haverá sempre angústias, lutas, dores. Estaremos sempre procurando dar um significado à vida, indagando qual é a finalidade da vida; e inventamos, assim, uma finalidade - uma finalidade pessimista ou uma finalidade otimista.
Mas, se fôrmos capazes dessa constante investigação, que é uma verdadeira forma de meditação, não deixaremos de atingir o ponto em que perceberemos que todo o nosso pensar está condicionado e que nossas crenças e dogmas nenhum valor têm. E ao percebermos que são sem valor, essas coisas cairão por si, sem têrmos de lutar contra elas. A totalidade de nosso condicionamento pode ser quebrada, não aos pedacinhos, o que leva tempo, porém imediatamente, pelo direto percebimento da verdade a seu respeito. A verdade é que liberta, e não o tempo ou nossa intenção de sermos livres. Eis porque é necessário têrmos a mente aberta, extraordinàriamente receptiva. Porque não se pode perseguir e pegar a verdade; ela vem por si.
Releva, pois, investigar profundamente a questão do condicionamento, sem nos limitarmos a aceitar a asserção de outro sôbre se a mente pode, ou não, libertar-se. Cabe a cada um investigar e libertar a si próprio. Penso que então algo se descobrirá além de tôdas as palavras, algo verdadeiramente incomunicável. O homem que realizou, que experimentou, por si mesmo, essa coisa, é um homem verdadeiramente religioso, porque já não está sob a influência da sociedade, essa estrutura de ambição, aquisição, inveja, atividade egocêntrica.
Krishnamurti - 2ª Conferência em Bruxelas - do livro: Verdade LIbertadora - ICK
Carlos - gallijunior5@hotmail.com
Sobre a libertação
do condicionamento.
Uma das coisas mais difíceis - parece-me - é a correta comunicação entre pessoas. Se desejo dizer algo, tenho de usar certas palavras, e as palavras tendem naturalmente a ter significado ou valor diferente para cada um dos ouvintes. Uma reunião silenciosa de pessoas produz seus benefícios próprios; mas, para nos comunicarmos uns com outros, torna-se necessária a "verbalização", e é muito difícil comunicar devidamente o que desejamos transmitir de maneira que o ouvinte compreenda sua inteira significação, principalmente em se tratando de matéria complexa, como é agora o caso. Requer-se uma certa facilidade de comunicação, para que todos compreendam o que se está falando.
Desejo versar um assunto que considero bastante importante: se é possível, vivendo neste mundo, libertarmo-nos de todo condicionamento, a fim de que cada um se torne um verdadeiro indivíduo e, conseqüentemente, capaz de descobrir o que significa ser criador. Por certo, aquilo que se pode chamar a realidade, Deus, a Verdade, ou como quiserdes, é um estado de renovação constante, um estado de criação; e êsse estado criador não pode ser realizado, experimentado ou conhecido, se não há a verdadeira individualidade; e para se alcançar essa verdadeira individualidade torna-se necessária a libertação do condicionamento.
Nossa mente está condicionada pela sociedade em que vivemos, pelos livros que lemos, pela religião, pelos valores sociais e morais, por nossos temores e ambições, nossa inveja, etc.; tôdas essas coisas concorrem para criar um condicionamento mental. Isso me parece bem óbvio.
E é possível libertarmos a mente dêsse condicionamento – não com o procurar de um condicionamento melhor e mais nobre, porém libertando efetivamente o espírito de todo o seu condicionamento? Enquanto não o fizermos, não seremos indivíduos; seremos mero resultado da coletividade - e isso também é muito óbvio, embora seja provável que nunca tenhamos refletido a seu respeito.
Ao nos examinarmos com um pouco mais de atenção, torna-se evidente que, pela maior parte, o nosso pensar, os valores, as experiências, os conhecimentos, as crenças que possuímos, são resultado de nossa educação, de inumeras influências; o clima em que vivemos, os alimentos que ingerimos, a literatura e os jornais que lemos, todos os elementos ambientes - tudo isso condiciona a mente. Pode-se ver que nosso pensar está sempre de acôrdo com um padrão, e êsse padrão já está bem firmado. Quanto mais altamente organizada, quanto mais eficiente e cruel é a sociedade, tanto mais rigorosamente o padrão é cultivado e implantado na mente. E é possível ser-se livre dêsse condicionamento, de modo que a mente não pense de acôrdo com um padrão, porém transcenda completamente a esfera do pensamento? Isso, porém, não significa um vago misticismo, um estado sonhador, pois êsse estado, pelo contrário, é muito positivo.
Assim sendo, pode a mente libertar-se de seu condicionamento? Sei que há gente que diz que isso é impossível, uma vez que os entes humanos são, totalmente, um resultado de influências ambientes. O homem educado como cristão crê nos dogmas do cristianismo, enquanto o que foi educado como comunista não crê em nada disso - e isso, mais uma vez, demonstra como a mente é influenciada e posta a funcionar dentro de um padrão, uma rotina, aí permanecendo.
Ao observar isso, qual a nossa reação? Quer sejamos cristãos, quer hinduístas, budistas ou o que mais seja, já nos deve ter ocorrido, se investigamos seriamente, que cada um de nós é moldado, condicionado, por um certo padrão - não apenas o padrão impôsto pela sociedade, pela cultura, pelas influências econômicas, pela religião em que fomos educados, mas também por um padrão interiormente impôsto.
E devemos nos ter interrogado se épossível à mente que se habituou a pensar dentro de uma certa rotina libertar-se dessa rotina. Por certo, só a mente livre pode descobrir algo nôvo. O homem que puramente crê, ou não crê em Deus, continua prisioneiro do padrão de determinado ambiente; pela ação do mêdo, da compulsão, de tôda sorte de influências, continua êle a fazer parte do todo coletivo. Nessas condições, pode a mente assim agrilhoada, libertar-se?
A capacidade de nos libertarmos não depende, por certo, de outra pessoa. Percebo que minha mente é o resultado de inumeráveis influências, que suas reações são determinadas por um estado já condicionado; e se me interessa descobrir se minha mente pode libertar-se, não parcial porém totalmente, tanto no nível inconsciente como no consciente, não tenho necessidade de perguntá-lo a outro; posso observar a mim mesmo. Posso libertar-me da idéia de "minha pátria", do estúpido nacionalismo, das crenças em que fui criado; mas, no próprio processo de me libertar posso cair noutro conjunto de padrões. Em vez de hinduísta, posso tornar-me cristão, budista, comunista, etc. - o que é sempre um padrão.
Assim sendo, é possível libertarmo-nos de um padrão sem cairmos noutro?
Se uma pessoa está muito vigilante e observando bem o processo mental formador dos hábitos, é possível, superficialmente, libertar a mente da formação de hábitos. Mas, o problema não é tão simples assim, porque temos o inconsciente total, também condicionado, e êsse condicionamento é muito mais difícil de perceber. É bem de ver que, pelo falar, pelo raciocinar, mediante várias formas de observação, posso libertar a minha mente do condicionamento superficial consistente em ser hinduísta ou católico - e isso, evidentemente, é necessário. Se desejo descobrir o real, devo ter, em primeiro lugar, uma mente não condicionada. A mente condicionada pode "projetar" suas próprias idéias e, a seguir, experimentar essas idéias. O cristão muito devoto e fartamente condicionado pode experimentar uma visão do Cristo; mas, o que êle está experimentando é sua própria "projeção", procedente de seu fundo educativo, e tal experiência, portanto, nenhuma validade tem. Já se pudermos transcender tôdas as razões superficiais da mente, talvez então sejamos capazes de penetrar muito mais profundamente no inconsciente, que está incessantemente "projetando" o seu próprio condicionamento.
Assim, é possível penetrarmos conscientemente o nosso inconsciente, para descobrirmos as várias formas de seu condicionamento? Não sei se já pensastes em tal coisa. Podeis ter vossas opiniões a êsse respeito, podeis declarar que é possível ou impossível; mas, penso que o estudante realmente interessado em investigar cabalmente a questão não fará declarações dessa natureza. Ele estará no "estado de investigação". Não pode investigar em referência a outra pessoa, mas, tão só, em referência à sua própria mente.
A investigação parece-me, deve ser sem motivo, sem nenhuma compulsão em dada direção. Se tenho um motivo para minha indagação, êsse motivo determinará o que acharei? Por conseguinte, não há verdadeira investigação enquanto houver um motivo qualquer. E quase todos nós temos variados motivos, não é verdade? Queremos ser felizes, queremos ser interiormente ricos, encontrar Deus, alcançar isto ou aquilo. E pode a mente despojar-se de todos os motivos e pôr-se no "estado de investigação"? Esta me parece, verdadeiramente, uma questão fundamental; porque é só quando estamos livres de motivos que seremos capazes de investigar a totalidade do inconsciente.
Em verdade, o inconsciente é um depósito de numerosos motivos de que não nos damos conta - temores, ânsias, e o resíduo racial. Para investigar tudo isso, a mente consciente, pelo menos, deve estar livre de qualquer motivo. E para se limpar, mesmo a mente consciente, de todo e qualquer motivo, requer-se muita vigilância, observação de nós mesmos. Isso significa estar cônscio do inteiro processo do pensar, verificar como o pensamento desponta na mente, e se esta pode mesmo libertar-se; ou, também, se o pensamento não passa de uma reação de determinado fundo, através da memória, não podendo, por conseguinte, ser livre. Uma pessoa pode ser capaz de raciocinar muito sutil e inteligentemente; mas, o seu raciocinar tem por fundo um determinado condicionamento.
Assim, para que a mente consciente possa investigar o inconsciente - onde estão depositados todos os motivos, impulsos, compulsões seculares - então, naturalmente, é necessário que a mente consciente esteja desde o comêço livre de motivos e padrões. E, parece-me, só nessa investigação começaremos a dissolver as influências coletivas de que somos atualmente constituídos. Não somos, agora, indivíduos; embora tenhamos um nome distinto, uma conta corrente particular, etc. etc., nada disso constitui individualidade. O que faz nascer o verdadeiro indivíduo é o estado mental liberto de condicionamento. Só então se torna possível descobrir se existe uma realidade além das limitações do pensamento, além das invenções e teorias da mente.
Enquanto não alcançarmos êsse estado, o que cremos ou não cremos a respeito de Deus ou da verdade tem muito pouca significação. Nossas crenças e descrenças serão meras repetições, imitações, das idéias e pensamentos colhidos nalgum livro ou da bôca de outra pessoa, ou, ainda, "projeções" de nosso próprio desejo de confôrto.
O homem verdadeiramente religioso não é aquêle que está aferrado a certas crenças e dogmas ou a rigorosas práticas morais, mas, sim, aquêle que começou a compreender o processo total de seu próprio pensar, tanto consciente como inconsciente. Esse homem é um verdadeiro indivíduo, porque sua mente não é mais um mecanismo de repetição; embora subsista a memória das coisas de que tomou conhecimento, essas coisas nenhuma influência têm no seu funcionamento. Essa mente se torna extraordinàriamente quieta, sem nenhum movimento de desejo, nenhuma "projeção" ou motivo. Nesse estado manifesta-se a ação criadora da realidade. Mas, isso não é uma coisa para se ouvir e repetir, apenas, como o menino que aprende e repete suas lições. Proceder assim não tem significação nenhuma. O necessário é que cada um penetre muito profundamente em si mesmo, desembaraçando-se de todos os seus temores superficiais, suas invejas, ambições, desejo de segurança, de apêgo, de dependência - tão importante, para a maioria de nós - desembaraçando-se de tôdas essas coisas estultas e insensatas, não apenas temporáriamente, mas libertando-se verdadeiramente de tôdas elas. Só então se pode descobrir se existe, ou não, uma Realidade, Deus, algo fora dos limites do tempo. Enquanto não descobrirmos isso por nós mesmos, não por intermédio de "salvadores" ou instrutores, porém pela experiência direta, pessoal, a vida continuará a ser uma coisa muito superficial. Podemos ter riquezas imensas, grande influência, e a possibilidade de viajar todo o mundo; podemos possuir vastos conhecimentos e mostrar-nos muito eloqüentes em nosso falar; mas, sem aquela experiência direta, a vida se torna muito trivial e, subterrâneamente, haverá sempre angústias, lutas, dores. Estaremos sempre procurando dar um significado à vida, indagando qual é a finalidade da vida; e inventamos, assim, uma finalidade - uma finalidade pessimista ou uma finalidade otimista.
Mas, se fôrmos capazes dessa constante investigação, que é uma verdadeira forma de meditação, não deixaremos de atingir o ponto em que perceberemos que todo o nosso pensar está condicionado e que nossas crenças e dogmas nenhum valor têm. E ao percebermos que são sem valor, essas coisas cairão por si, sem têrmos de lutar contra elas. A totalidade de nosso condicionamento pode ser quebrada, não aos pedacinhos, o que leva tempo, porém imediatamente, pelo direto percebimento da verdade a seu respeito. A verdade é que liberta, e não o tempo ou nossa intenção de sermos livres. Eis porque é necessário têrmos a mente aberta, extraordinàriamente receptiva. Porque não se pode perseguir e pegar a verdade; ela vem por si.
Releva, pois, investigar profundamente a questão do condicionamento, sem nos limitarmos a aceitar a asserção de outro sôbre se a mente pode, ou não, libertar-se. Cabe a cada um investigar e libertar a si próprio. Penso que então algo se descobrirá além de tôdas as palavras, algo verdadeiramente incomunicável. O homem que realizou, que experimentou, por si mesmo, essa coisa, é um homem verdadeiramente religioso, porque já não está sob a influência da sociedade, essa estrutura de ambição, aquisição, inveja, atividade egocêntrica.
Krishnamurti - 2ª Conferência em Bruxelas - do livro: Verdade LIbertadora - ICK
Carlos - gallijunior5@hotmail.com
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